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Não obstante a questão dos fatores competitivos intrínsecos, como o custo barato da mão-de-obra citado no tópico “Escopo do Instituto da Economia Criativa”, tanto para a China quanto para a Índia e Leste Europeu, é bom lembrar que esses países têm evoluído a passos acelerados, investindo em áreas consideradas chave para o avanço nos diversos segmentos da “Economia Criativa”. Esses investimentos incluem a educação, pesquisa e desenvolvimento e design. Sobre o design, a recente iniciativa da FUVEST de incluir o bacharelado em design no vestibular de 2005, que atraiu um número sem precedentes de estudantes interessados, vale lembrar que a China constituiu a sua primeira faculdade de design há 23 anos e hoje possui 400 escolas, formando 10 mil alunos por ano.

Vale a pena reproduzir parte da matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico em 23 de setembro de 2005, sob o título “A China, agora, dita as regras”, por Érica Fraga, de Londres, especialmente sobre os Três Teoremas, desenvolvidos pelo consultor americano Joshua Cooper Ramo, quem cunhou a expressão “Consenso de Pequim”.

O "Consenso de Pequim" foi publicado pelo respeitado Centro de Política Externa (The Foreign Policy Centre), instituto de pesquisa baseado em Londres que tem como patrono o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Recentemente, tanto a expressão como as teses de Ramo têm ganhado tom de debate e já foram citadas em artigos de publicações como "Financial Times", "Newsweek" e textos de outros acadêmicos, inclusive brasileiros.

"Os dois países que ignoraram mais notavelmente o Consenso de Washington, Índia e China, têm resultados que parecem atrativos. Então, no lado econômico, acho que há uma reação natural de tentar pensar sobre que lições poderiam ser aprendidas da experiências desses dois países muito grandes e muito pobres", disse Ramo ao Valor.

O artigo de Ramo - que, além de atuar como consultor de negócios, principalmente na China, é acadêmico e já foi editor da revista "Time" - foi escrito depois de mais de cem conversas do autor com importantes intelectuais e políticos chineses. O texto defende a idéia de que a experiência chinesa mostra que cada país precisa encontrar seu próprio caminho de desenvolvimento. O modelo chinês, diz Ramo, "é tão flexível que nem é classificado como doutrina e não impõe soluções uniformes para todas as situações". Mas, de acordo com o autor, podem ser retirados dele três teoremas básicos.

- O primeiro teorema diz que a China - que cresce a uma média de 9% há duas décadas - tem se beneficiado de investimentos em alta tecnologia, inovação e educação. São formas de aumentar a produtividade total dos fatores da economia chinesa. E, observa Ramo, as mudanças ocorrem em velocidade tão alta que a inovação constante é a única forma de combater os problemas causados pelas próprias transformações. Mesmo quando fracassam, as tentativas são vistas como positivas. Essa é uma das idéias de Deng Xiaoping recicladas pela China em sua contínua busca de um caminho próprio rumo a uma economia de mercado, globalizada, mas com "características chinesas".

- O segundo teorema afirma que as taxas elevadas de crescimento não bastam e que é preciso buscar uma expansão sustentada e maior igualdade na distribuição dos ganhos com as reformas do país. Desde o início de seu processo de abertura controlada, marcada por um modelo exportador agressivo, iniciado por Xiaoping, a China deixou de ser uma das nações mais igualitárias do mundo para figurar no time das mais desiguais.

Apesar do forte controle político sobre a população, as pressões sociais têm aumentado, diz Shaun Breslin, professor da Universidade de Warwick, no Reino Unido, respeitado especialista europeu em China. "Há greves e motins diariamente sobre os quais não ouvimos porque não são sempre divulgados na China por razões óbvias. Se há um desafio para o Partido Comunista no curto prazo, não olhe para a classe média; ele pode vir daqueles que vêm sendo deixados para trás", afirma Breslin.

A insatisfação com a agressão ao meio ambiente e com a corrupção também é crescente. Por isso, de acordo com Ramo, há sinais claros de que o foco do pensamento desenvolvimentista chinês está se voltando para as discussões sobre sustentabilidade e igualdade. A percepção da desigualdade como risco à estabilidade social somada ao temor de que as taxas de crescimento acabem esbarrando em limites estruturais de recursos levou o governo do presidente Hu Jintao e do primeiro-ministro Wen Jiabao a encampar o discurso da necessidade de "desenvolvimento equilibrado".

Esse deverá ser o tema central do novo plano econômico de cinco anos que será discutido pelo comitê central do Partido Comunista agora em outubro. Para Ramo, essa é a segunda perna do tripé do Consenso de Pequim.

- Seu terceiro sustentáculo é o que Ramo chama de teoria da autodeterminação, descrição fascinante de como a China tenta controlar seu destino, usando o que o autor chama de alavancagem para dar grandes passos. O foco é sobre a política externa. "Em vez de construir um poder no estilo dos EUA, encrespado com armas e intolerante com as visões do mundo dos outros, o poder emergente da China é baseado no exemplo do seu próprio modelo, a força de seu sistema econômico e defesa rígida da soberania nacional", diz trecho do artigo.

O Partido Comunista chinês tem propagado a tese de que busca uma ascensão pacífica. Mas tem sabido, ao mesmo tempo, comenta Ramo, construir armas poderosas no mundo globalizado. Exemplo: suas reservas internacionais de mais de US$ 700 bilhões, boa parte acumulada em títulos do governo dos EUA, que são um reflexo da política de manutenção de uma taxa de câmbio desvalorizada, um dos motores do modelo exportador chinês. "Estas 'armas assassinas' são importante parte do Consenso de Pequim em segurança. Não porque Pequim é ambiciosa por hegemonia, assunto que deixarei para outros discutirem, mas porque oferecem a chance para uma verdadeira autodeterminação", diz Ramo.”

Resumidamente, o primeiro teorema foca os pontos fundamentais da “Economia Criativa”, ou seja, os investimentos em tecnologia, inovação e educação; o segundo teorema trata de sustentar a taxa de crescimento da economia (o artigo traz o termo “sustentado”, ao qual devemos acrescentar o termo “sustentável”, uma vez que este último refere-se, este sim, à harmonia entre o crescimento econômico, social e o meio ambiente, enquanto que o primeiro refere-se à manutenção do crescimento, sem grandes flutuações, ao longo dos anos). Este segundo teorema integra também o conceito que adotamos como “Economia Criativa”; o terceiro teorema fala da teoria da autodeterminação, “descrição fascinante de como a China tenta controlar seu destino, usando o que o autor chama de alavancagem para dar grandes passos.”, o que em grande parte dos países emergentes, inclusive no Brasil, esbarra na qualidade da administração pública. Novamente, um problema relacionado à “Economia Criativa”.

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